sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Inception

É uma daquelas tardes de domingo sem graça, até sem cor, que parece não existir nada que se possa fazer para quebrar o tédio. Para entreter a noite, combino uma sessão de filmes na casa um amigo com os amigos. Enquanto a hora não chega, decido tirar um cochilo... Afinal, o sono da tarde é tão mais gostoso, não?

Durmo, mas um sono inquieto. Acordo repetidas vezes e, preguiçosamente, decido em todas elas voltar a dormir. Acordo novamente. Abro os olhos, já é noite e o meu quarto escureceu. Meu sono e cansaço parecem ter aumentado. Decido dormir de novo, até que acordo.

Levanto meio perturbada, molenga, acho que dormi demais. Saio do quarto, vou para a sala e me deparo com minha mãe. Ela parece estranha. Um olhar diferente. Será preocupação? No momento, não me parece oportuno perguntar. Sigo para a outra sala e vejo meu pai sentado ao sofá, assistindo  televisão. Sento ao lado dele, olho para o programa que está passando. Parece ser alguma coisa do NatGeo. 

Continuo me sentindo estranha. Olho para meu pai e indago:
- Pai, eu preciso saber de uma coisa... Eu estou sonhando?
- Claro que não, minha filha – responde ele, voltando a atenção ao documentário.

Levanto-me do sofá, dou uma volta pela sala e chego ao terraço. Encontro minha irmã dormindo na rede. 
- Ei, Isa, tá na hora de acordar. Já já tem filme na casa de Alex.
E escuto a resposta que, vindo dela, pareceu óbvia:
- Ah, Manuela, você demorou demais dormindo. Não vou mais.

Dou nos ombros e volto pra sala, ainda com uma estranha sensação. Há algo diferente no ar. Não identifico o que é, mas sei que há, apesar de parecer estar tudo tão certinho... 
Encontro meu celular pela sala. Uma chamada não atendida. Engraçado, não lembro de ter registrado esse nome na minha lista de contatos. Guardo novamente o celular na estante, ao que me ocorre o pensamento: é, realmente não devo estar sonhando.


Abro os olhos, já é noite e o meu quarto escureceu.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Desespero Moda 73


"Se você vier me perguntar por onde andei
No tempo em que você sonhava
De olhos abertos, lhe direi:
- Amigo, eu me desesperava.
Sei que, assim falando, pensas
Que esse desespero é moda em 73.
Mas ando mesmo descontente.


Desesperadamente eu grito em português:
- Tenho vinte e cinco anos de sonho e
De sangue e de América do Sul.
Por força deste destino,
Um tango argentino
Me vai bem melhor que um blues.
Sei, que assim falando, pensas
Que esse desespero é moda em 73.
E eu quero é que esse canto torto,
Feito faca, corte a carne de vocês".


À Palo Seco - Belchior

terça-feira, 26 de julho de 2011

O delírio do direito, o direito ao delírio.

 O Direito ao Delírio
Eduardo Galeano

Que tal começarmos a exercer
O direito de sonhar?
Que tal se delirarmos um pouquinho?

No próximo milênio, o ar estará limpo
de todo veneno
O televisor deixará de ser
o membro mais importante da família
As pessoas trabalharão para viver,
em vez de viver para trabalhar.

Os economistas não chamarão
nível de vida o nível de consumo,
nem chamarão qualidade de vida
a quantidade de coisas.

Ninguém será considerado herói
ou tolo só porque faz aquilo que
acredita ser justo, em vez de fazer
aquilo que mais lhe convém.

A comida não será uma mercadoria,
nem a comunicação um negócio,
porque comida e comunicação
são direitos humanos.

A educação não será um privilégio
apenas de quem possa pagá-la.
A polícia não será a maldição daqueles
que não podem comprá-la.

A justiça e a liberdade,
irmãs siamesas
condenadas a viverem separadas,
voltarão a juntar-se, bem unidas
ombro com ombro.

E os desertos do mundo e os desertos
da alma serão reflorestados.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Sinais de rumo (Chico Xavier)

Ontem li Sinais de Rumo, um livro com algumas lindas mensagens de espíritos diversos psicografadas por Chico Xavier.
Algumas mensagens que chamaram atenção:

Escute
Fracasso? Não acredite em derrotas. Lembre-se de que, pela bênção de Deus, você está agora em seu melhor tempo - o tempo de HOJE, no qual vcê pode sorrir e recomeçar, renovar e servir, em meio de recursos imensos.
(André Luiz)

"Se você quer ser feliz
Fuja a todo assunto vão
Que não clareie a cabeça
Nem ajude o coração".
(Casimiro Cunha)

E, pra terminar:

Devolução

Queres felicidade.
Felicidade, porém, é uma construção a fazer.
O alicerce está em ti mesmo.
Recorda: terás sempre o que deres de ti.
O retorno é de lei.
Ainda mesmo que em migalha, distribui a esperança e a alegria.
Mesmo sofrendo, oferece um sorriso aos outros.
Tanto quanto puderes, faze os outros felizes.
Pouco a pouco, terás centuplicadamente aquilo que semeias.
Não te esqueças: felicidade é devolução.
(Emmanuel).

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

"Eu disse e nem assim se pôde evitar..."


Hoje vi um outdoor com uma homenagem da CFM e CRM-PB aos médicos pelo dia 12 de outubro com uma frase simples e universal: "é preciso dar valor a quem cuida da gente". Podemos dizer que é tão universal que pode ser estendida não só ao aspecto médico-profissional, como a amizades, relacionamentos, família, etc.
Mas o que me despertou interesse não foi apenas essa universalidade de situações, mas uma reflexão sobre a dualidade valor versus cuidado, ou, melhor ainda, valor versus cotidiano.
O que se sabe é que os seres humanos - em geral - têm uma atração inevitável pelo que é diferente. Quando as coisas se tornam rotineiras, normais e previsíveis, começam a se tornar enfadonhas, sem graça, sem charme... Ou até tudo isso junto. Só que isso me soa tão absurdo! 
Conheci uma pessoa que dizia ter um pai sério, calado, rude e – às vezes – até indiferente. Era raro enxergar nele alguma demonstração ou atitude de carinho, de afeto, de amor. No entanto, em alguns raros momentos de inspiração sentimentalista, o tal pai demonstrava um pouco do seu amor, através de alguma pequenina atitude. E, nessas horas, o filho se tornava o filho mais feliz do mundo.
Fico até feliz pela sensação de felicidade - embora momentânea - do filho. Mas, ao mesmo tempo, fico também, indignada. E é inevitável refletir: por que é tão mais difícil dar realmente valor a quem merece valor? Por que aquela demonstração esporádica tem uma maior e intensa admiração em relação àquelas que são dadas rotineiramente? Não é muito mais desafiador conquistar e manter essa conquista dia a dia?
Se fossemos menos contraditórios e mais justos, daríamos mais importância às pessoas que se esforçam por nós constantemente. São aquelas pessoas que estão lá, todos os dias, nos demonstrando carinho, atenção, respeito, admiração, ouvindo atentamente o que temos a dizer ou silenciando justamente quando tudo que precisamos é apenas um apoio ou companhia. São aquelas que estão sempre demonstrando carinho através de palavras, gestos, atitudes; que estão sempre se esforçando para nos ajudar; que estão dispostas e presentes quando mais precisamos... Essas sim merecem a nossa especial atenção... Essas sim merecem o nosso crescente interesse, a nossa admiração e o nosso amor.
Ah, se assim fosse... O mundo seria menos hipócrita e pararíamos tanto de ouvir o velho clichê que tanto se repete de que “só se dá valor quando perde”. Ah, se chegasse o dia em que as pessoas não precisassem perder para dar valor... Hipocrisias e utopias à parte, cada um deve ir fazer a sua parte. Fica a dica-repetição da frase do outdoor dos médicos: dê valor a quem cuida de você

"De tanto eu te falar você subverteu o que era um sentimento e assim fez dele razão pra se perder no abismo que é pensar e sentir..." Sentimental - Los Hermanos 

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

"eu queria tanto encontrar uma pessoa como eu..."

na busca de tornar uma manhã desproveitosa em algo proveitoso, comecei a passear pela internet e me deparei com algumas citações, trechos e textos legais... assumo, a maioria de lispector. mas isso não foi algo proposital ou previsível, digamos que um acidente meio incidente, mas também algo que poderia ser previsível pela capacidade que alguns dizeres dela têm de fazer com que a gente se sinta dentro deles, identificando-nos com as palavras de forma que parece que foi escrita para nós, definindo-nos e nos delimitando, só que de uma forma abstrata, se é que se pode delimitar e limitar algo abstratamente...
eu sei e é verdade, muita gente não gosta muito dos textos “lispectorianos”. ainda bem que gosto é, como todo mundo diz, feito nariz ou qualquer outro membro individual do corpo, cada um tem o seu... o que faz com que eu não tenha nada a ver com desgostos alheios.
a questão é que ela consegue através de palavras e não-palavras dizer com bastante charme coisas óbvias. por exemplo, quando ela fala na perspectiva dos tantos "eus", tentando definí-los em várias passagens, e cada uma de uma forma mais sensível e particular que a outra... bem, isso me encanta.

"Enfim, enfim quebrara-se realmente o meu invólucro, e sem limite eu era. Por não ser, eu era. Até o fim daquilo que eu não era, eu era. O que não sou eu, eu sou. Tudo estará em mim, se eu não for; pois "eu" é apenas um dos espasmos instatâneos do mundo. Minha vida não tem sentido apenas humano, é muito maior - é tão maior que, em relação ao humano, não tem sentido".

"Não me prendo a nada que me defina. Sou companhia, mas posso ser solidão. tranqüilidade e inconstância, pedra e coração. Sou abraços, sorrisos, ânimo, bom humor, sarcasmo, preguiça e sono. Música alta e silêncio. Serei o que você quiser, mas só quando eu quiser. Não me limito, não sou cruel comigo! Serei sempre apego pelo que vale a pena e desapego pelo que não quer valer…"

"É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer, porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo..."

“De repente as coisas não precisam mais fazer sentido. Satisfaço-me em ser. Tu és? Tenho certeza que sim. O não sentido das coisas me faz ter um sorriso de complacência. De certo tudo deve estar sendo o que é”.

é como aquela história de cada pessoa e seus três "eu"...
afinal, quem somos? e vêm aqueles avalanches de respostas...
mas a que realmente mais me seduziu foi aquela definição pensada por sei lá quem que nos faz parar e refletir: - peraí, qual dos “eu” tu queres saber? quem eu acho que sou, quem as pessoas acham que sou ou quem eu realmente sou?
essa pluralidade de "eus" acaba fazendo com que identifiquemos um de nossos "eu" com uma das (in)definições dela.
enfim, hoje a gente se identifica com uma, amanhã com outra, e assim vai... na infinita indefinição do que não dá pra ser definido com palavras... afinal,

"Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar..."


a imagem acima é de mark ryden, não sei se é contextual... mas eu gosto. de repente, a menininha de branco é o "eu segunda-feira", a de vermelho o "eu sábado", a de amarelo "eu sexta-feira", a de preto o "eu domingo"... talvez até "eus" passado, presente, futuro e eternidade... enfim, devaneios e desenhos sombrios à parte, mark ryden muito me agrada.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

distracted weeping


Nããão... Não vou escrever um texto. Sim, vou copiar um que twittaram e achei lindo.
E, sim, esse negócio de Twitter vicia. Droga.


Por Não Estarem Distraídos (Clarice Lispector)

Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.



Weeping, de Mark Ryden

domingo, 22 de agosto de 2010

"deixa ser como será, eu vou sem me preocupar..."

não sou nenhuma psicanalista, terapêutica, psicóloga, filósofa ou coisas do gênero. nenhuma versão feminina de Augusto Cury, Sócrates, Nietzsche, enfim... não sei se eu tenho cara de "alguma coisa" de "alguma dessas áreas". espero que não. não que seja algo ruim, apenas não tenho o mínimo de vocação. até queria, acho que são áreas fantásticas, maaaas...
não sei o que leva alguns amigos a virem com perguntas tão profundas como "manu, você acha que é normal eu me sentir tão solitário?". páro, penso, ou nem páro, mas penso que poderia dar uma de Socrátes e perguntar "o que é solidão pra você?" bem como soltar uma resposta freudiana mais ou menos como "de onde você acha que vem essa sensação?"... mas me calo. 
no campo emocional, é tudo tão relativo, tão subjetivo, tão particular, que eu acho até meio perigoso externarmos qualquer tipo de opinião nesse sentido. isso porque você não sabe até que ponto aquela pessoa está precisando acreditar em algo e vai fazer da sua verdade a verdade dela. 
e, bem... a minha verdade é que eu, de fato, acho terrível esse costume de dar importância demais a algo que (aparentemente) não merece. percebo que o velho lema de "é muita coisa pra coisa coisa" é a realidade de tanta gente, quando deveríamos dar importância apenas ao que tem importância e tratar com irrelevância o que é irrelevante. 
no entanto, ao mesmo tempo que reflito sobre isso, percebo que é uma conclusão extremamente egoísta de minha parte. a realidade é que "cada caso é um caso". o que machuca Fulano pode não fazer nem “cosquinha” em mim, assim como o que seria o fim do mundo pra mim, de repente, nem é nada pra Sicrano... e é isso que considero fascinante nas pessoas. é isso que faz esse mundo ser repleto de altos e baixos. é isso que faz uma pessoa ser admirada por muitos, enquanto faz outras simplesmente serem menosprezas ou até nem serem percebidas, o que é ainda pior... 
sei que é legal você ser autocrítico, reflexivo e até mesmo contestador. mas eu acho que problematizar ou enfatizar demais as coisas acaba obstaculizando o que não deve ser obstaculizado, assim como considero um atraso criar expectativas em excesso de algo que deveria ser apenas vivido, implicar com coisas que apenas deveriam ser observadas, deixar de inovar em prol da velha ratificação de princípios íntimos e irrenunciáveis... pra mim, são, na verdade, meros atrasos com aparência de filosofia de vida. 
e, se nesse texto tenho falado insistentemente em “eu acho”, “para mim”, “minha verdade”, “considero” ou expressões do gênero, é que, sei lá, como falei inicialmente, é um assunto tão subjetivo. isso aqui é tão verdade pra mim como pode ser pura bobagem pra você. 
enfim, diante de tantas problemáticas, importâncias, subjetividades, verdadeiras variações de realidade, sugiro uma maravilhosa filosofia geral de vida que deveria ser absorvida por todos. 
é a seguinte: se tudo é uma questão de ponto-de-vista, por que simplesmente não escolher o melhor deles? por que não podemos apenas valorizar o que há de bom e de construtivo? por que não deixar de se ater ao que não está dando certo? vamos simplesmente vivendo procurando construção, evolução, entendimento, deixando todo o resto pro lado de lá (do esquecível). 
sabe, se é tão difícil amar ao próximo como a nós mesmos, vamos pelo menos tratar o próximo como gostaríamos que nos tratássemos e, principalmente, vamos cuidar de nosso emocional como uma florzinha que precisa sempre de cuidados para ficar linda, saudável e apta a ser admirada por todos. e, acho que nem é segredo, isso se consegue através de amor-próprio, bons pensamentos e boas ações. enfim, mais uma vez, a constatação de que boas atitudes estão sempre trazendo bons frutos ...

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

combate ao tédio

Ontem à noite, em plena aula de marketing, lutei firmemente contra meu cansaço e meu sono. Mentalmente, procurei algo pra fazer. 
Nessas horas, é praticamente um vale-tudo. Qualquer alternativa é considerada, exceto a mais acessível de todas: simplesmente assistir à aula.



Descartada essa, fui buscando algumas possibilidades...  Pensei em escrever uma cartinha, mas não teria a quem entregar. Até cogitei sair da sala e passear, mas vai que ela fazia chamada. Pensei em ler um livro, achei que ela iria reclamar. Então desisti, não queria mais fazer nada. Até que eu tive uma idéia! Um pouco "suicida", talvez... Dei uma de pseudo poetinha e comecei a fazer um poeminha, que acabou virando soneto, desses bem amadores, que nem de longe fala de amores. (heheh) 

Enfim, o importante é que consegui fazer com que minha aula terminasse rapidinho.

Lá vai:


Soneto do Combate ao Tédio

Caminhando e na mente, divagando
Bem sei da universidade, obrigação
Verdade que não está ao meu contento
Só me atormenta essa tanta imposição

Em plena aula, dou-me conta, de repente
Que durmo, até sonho, um pouco em vão
Eu daqui me despedir, tão somente
Doce alegria que me daria a solução...

Concordo, uma lição bem importante...
Mas nem de longe é atraente como aurora
Cruelmente realidade, embora tente

Cesso a rima, funcionou, é minha hora
Massacrei todo o tédio brandamente
Deu o tempo, quão contente, vou-me embora!

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

loucura simpática

em mais uma dessas loucas situações que a vida nos coloca... eu páro e pergunto: por quê, meu Deus, por quê? eu sei que a graça está justamente nessas mais variadas pessoas que compõem esse nosso pequenino planeta Terra. mas, sério, eu acho que tem gente que sai do (a)normal e beira à loucura (da normalidade).
não que haja algo de ruim em ser louco... longe de mim insinuar isso. até mesmo porque já dizia alguma assumidade anônima que "os loucos são os certos numa sociedade incerta".
mas existem aqueles que são loucos, querendo fazer as pessoas de loucas. aí, meu caro e inexistente leitor, te digo uma coisa: isso ultrapassa os limites da loucura e passa às fronteiras da falta de respeito.
fico impressionada com a capacidade que as pessoas tem de não respeitar o próximo. e, quando digo respeito, refiro-me a um modo geral.
o que será isso? falta ou deficiência na educação, coisas de caráter, ou puramente ausência de noção?
e para você ser bombardeado desses casos e causos, é simples e infalível: basta sair de casa... ou nem isso! nesses tempos de virtualidade e interatividade, nunca se sabe.
você vai para a padaria mais próxima da tua casa e o padeiro é uma simpatia. daquelas que se não te desejasse "bom dia" teria sido melhor do que ter pronunciado tão de má vontade.
até porque, devemos lembrar, tudo é energia e, nesse caso, uma baita energia negativa.
então você decide mudar de padaria, porque você não é obrigado a ficar toda manhã recebendo "bom dias tormentosos" de algum padeiro infeliz.
na nova padaria, tudo dá certo, até que você vai ao caixa pagar sua humilde conta diária e descobre que ele também é um infeliz. como assim? eles parecem querer te convencer com caretas que você tá fazendo um favor ali, pagando a conta do pão.
e isso não é nenhum discurso contra os estabelecimentos em geral, porque o inverso também é verdadeiro. alguns clientes e consumidores falam com os fornecedores como (se fossem) semi-deuses, invocando o grande livro sagrado, o Código de Defesa do Consumidor.
depois da saga pão, começa a saga trabalho, ou faculdade, ou escola... e aí, então, a suscetibilidade de casos simpáticos como esses ocorrerem é absurdamente ampliada...
cabe a nós, pacientes e insistentes seres que querem um mundo melhor e repleto de alegria, sorrir ante a essas figurinhas infelizes.
afinal, já dizia outra assumidade anônima, que "tudo que vai, volta". será que custa tanto então enviar sorrisos, agradecimentos e bom dias carregados de energias positivas? vamos tentar, pessoas. durante todo o nosso dia de 24 horas, o que não falta é oportunidade.