É uma daquelas tardes de domingo sem graça, até sem cor, que parece não existir nada que se possa fazer para quebrar o tédio. Para entreter a noite, combino uma sessão de filmes na casa um amigo com os amigos. Enquanto a hora não chega, decido tirar um cochilo... Afinal, o sono da tarde é tão mais gostoso, não?
Durmo, mas um sono inquieto. Acordo repetidas vezes e, preguiçosamente, decido em todas elas voltar a dormir. Acordo novamente. Abro os olhos, já é noite e o meu quarto escureceu. Meu sono e cansaço parecem ter aumentado. Decido dormir de novo, até que acordo.
Levanto meio perturbada, molenga, acho que dormi demais. Saio do quarto, vou para a sala e me deparo com minha mãe. Ela parece estranha. Um olhar diferente. Será preocupação? No momento, não me parece oportuno perguntar. Sigo para a outra sala e vejo meu pai sentado ao sofá, assistindo televisão. Sento ao lado dele, olho para o programa que está passando. Parece ser alguma coisa do NatGeo.
Continuo me sentindo estranha. Olho para meu pai e indago:
- Pai, eu preciso saber de uma coisa... Eu estou sonhando?
- Claro que não, minha filha – responde ele, voltando a atenção ao documentário.
Levanto-me do sofá, dou uma volta pela sala e chego ao terraço. Encontro minha irmã dormindo na rede.
- Ei, Isa, tá na hora de acordar. Já já tem filme na casa de Alex.
E escuto a resposta que, vindo dela, pareceu óbvia:
- Ah, Manuela, você demorou demais dormindo. Não vou mais.
Dou nos ombros e volto pra sala, ainda com uma estranha sensação. Há algo diferente no ar. Não identifico o que é, mas sei que há, apesar de parecer estar tudo tão certinho...
Encontro meu celular pela sala. Uma chamada não atendida. Engraçado, não lembro de ter registrado esse nome na minha lista de contatos. Guardo novamente o celular na estante, ao que me ocorre o pensamento: é, realmente não devo estar sonhando.
Abro os olhos, já é noite e o meu quarto escureceu.









